No ferês o apelido é muito mais forte que o nome. E com toda razão. Utilizando esse artifício, não há possibilidade de cometer qualquer tipo de engano, e ainda permite saber se a pessoa, de fato, conhece o indivíduo.
Exemplo:
Apelido: Chico do Monza
Nome: Francisco Cláudio da Silva
Se você chegar no bairro e perguntar por Francisco Cláudio, as pessoas não saberão responder, isso é fato. A primeira coisa que irão perguntar é: "É um q tem um monza é fera?”.
Relato de um apreciador do “jeito fera” de falar:
“Tinha uns feras que moravam numa favela perto do meu prédio que às vezes jogavam bola. Os apelidos: Catota, Suvaco,Ninoca,Capilé, Deda, Naudo, Junho, Frauvo, Galegu, Alemão.
Aí, quando alguém fazia alguma besteira jogando, eles falavam:
“Porra suvaco, vou dá-le um cocoroti no quengo VÚ!”

Felipe Marrone posando pro Blog Só Maria. "Fera que é fera vai pra jovem!"
O Jaísmo
Outra peculiaridade da língua é o Jaísmo, uma demonstração clássica de colocação pronominal do dialeto ferês:
Exemplo:
Nalva – Suedsuoooooo vem tuma banho minino maluvido!!
Suedson – Eu JÁ vou JÁ!
O Suedson usou conscientemente o jaísmo como uma pró ênclise, pois o jaísmo é utilizado em expressões de ênfase. Suedson só estava querendo dar a certeza de que ele estava indo tomar banho no último JÁ.
Portanto, o Jaísmo é um exemplo clássico de colocação pronominal no dialeto ferês.
Outros exemplos:
Eu JÁ peguei JÀ!
Eu JÁ fui JÁ!
Pra finalizar, eu abri um espaço onde os apreciadores do “jeito fera de ser” podem contar alguma coisa fera que já fizeram.
OBS: Os feras usaram pseudônimos para preservar a verdadeira identidade.
“Eu já coloquei tampa da margarina no pneu da bicicleta pra fazer barulho como se fosse um motor.” (Marcos Suel)
"Eu tinha um tênis, tava velho para peste, mas adorava o bicho. Em uma viagem , só tava com ele de calçado e solado caiu. Pra não ficar descalço, aderi a moda fera: amarrei o solado com o cadarço. Eita fera da peste!” (Marlou Brando)
“Eu já fiz um mói de coisa de fera q nem dá pra contar tudo aqui, mas minha irmã do meio foi campeã. Tava ela na feira de Camela (município perto de Ipojuca, onde minha mãe nasceu), onde passávamos férias quando éramos pequenas, e ela queria comprar um pacote de biscoito chamados waffers (pronuncia -se uêifers), muito apreciados na época ( tinha morongo, chacolate,imbacaxi,palmilha). Ela tinha uns 11 anos e foi numa barraca ver se tinha, e pensou "esse fera não vai entender se eu pedir ueifers, vou falar a língua dele. E lascou um: "Moço, tem Váfers?"
No que o fera respondeu: "Tem ,fia, mas é UÊIFERS,ví, né VÁFERS não!"
A pobre da minha irmã.Até hoje a família tira onda.” (Kelly Xarlene)
Se você também já fez alguma coisa de fera, ou conhece um, conte pra gente a