segunda-feira, 16 de julho de 2007

1984

Pra quem assistiu ao filme. Ou se ainda não, uma boa indicação.



No romance de George Orwell, a transformação da realidade é o tema principal, associado ao uso da censura e manipulação de informações, sob o regime do Grande Irmão. Enaltecer e jamais denegrir o regime. Estes são os ideais de controle de massa observados na obra.

No entanto, muito antes de Orwell pensar em escrever 1984, já eram usadas outras formas de manipular o pensamento da população, em detrimento de uma forma de governar. Em meados de 286 a.C., no Império Romano (o mais duradouro da historia da humanidade), quando o imperador ou o senado queriam manter o povo ocupado para fazerem a sua política sem contestação ou barreiras, estes decretavam jogos de gladiadores para manter o povo distraído.

Hoje em dia, com as grandes tecnologias existentes, se torna ainda mais fácil induzir as pessoas a pensar e agir de uma forma que talvez nem queiram. O escritor William Burroughs, autor da obra A Revolução Eletrônica, segue esta linha de pensamento, ao dizer que a palavra é um instrumento a serviço do poder instituído, que tem a força de falsificar a realidade, dependendo de como é emitida.

Para Burroughs, os veículos de comunicação de massa, nas mãos dos jornalistas, só transmitem a verdade que lhes interessam. A finalidade é impedir que as pessoas pensem por elas próprias, perdendo o espírito crítico, e passem a aceitar como verdade universal, o que é transmitido através dos meios de comunicação social.

Para o editor do jornal francês Le Monde Diplomatique, no cenário atual, os diversos meios de comunicação perderam importantes referências para dar lugar à lógica empresarial. “Não há objetivo cívico nem ético. Não há mais aquele sentimento de corrigir a democracia quando fosse preciso.”

Hoje em dia, no lugar das arenas lotadas para os jogos de gladiadores, são os estádios de futebol que lotam. A população pára ao assistir a copa do mundo. Uma maneira de manter a mente do povo ocupada, aos moldes do Império Romano. Ainda mais que as eleições acontecem de quatro em quatro anos, justamente nos mesmos anos que o Mundial. As pessoas se envolvem com a emoção do futebol, dando menor importância à política. Os jogos de gladiadores alienavam a população na antiguidade, assim como o futebol aliena, hoje, o público, e como uma imprensa manipuladora, subjugada por gigantes midiáticos, pode pensar por uma população.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Jogue mais, garoto!

Acabei de fazer 10000000 abdominais!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk



terça-feira, 8 de maio de 2007

Good Night Dad


Algumas pessoas sentem saudades de algo que nunca tiveram.

De um amor que nunca existiu, de um lugar que nunca visitaram, ou de um momento que até então não viveram. Eu sinto saudades de um show dos Beatles que nunca fui. Mas me vejo perfeitamente nos anos 70, passeando pelas ruas de Liverpool, usando uma daquelas meias de lurex e sapatos de plataforma. Saudade ainda maior, sinto quando escuto “Beautiful boy” de John Lennon. Sinto saudades pelo Sean, filho de Lennon.

“Good night Sean, see you in the morning. ... ”.

É o que diz o pai ao filho, bem baixinho, no fim da música.

Uma vez, ao ser entrevistado para uma revista norte-ameriaca, Sean falou da saudade que sente do pai, mas que se conforta pelo fato de todas as noites ouvi-lo o botar pra dormir.



quarta-feira, 2 de maio de 2007

Tribalistas não sabem namorar...


Na hora de cantar, todo mundo enche o peito nas boates e gandaias, levanta os braços, sorri e dispara: "... eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também..." No entanto, passado o efeito da manguaça com energético, e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração tribalista se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.

Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, de que toda ação tem uma reação? Agir como tribalistas tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida. Não dá, infelizmente, pra ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém.

Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e, nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.

Embora já saibam namorar, os tribalistas não namoram. "Ficar" também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho.

Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente por uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança? A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais.

Assim, como só deseja a cereja do bolo tribal, enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas, e a troca de cumplicidade, carinho e amor.

Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só pra dizer boa noite, ter uma boa companhia pra ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém pra fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter alguém para amar. Já dizia o poeta que amar se aprende amando. Assim podemos aprender a amar nos relacionando. Trocando experiências, afetos, conflitos, sensações.

Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos. E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento...

É arriscar, pagar pra ver e correr atrás da tão sonhada felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins. Ser de todo mundo, não ser de ninguém, é o mesmo que não ter ninguém também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida SOLIDÃO...

"Seres humanos são anjos de uma asa só, para voar tem que se unir ao outro”.

ARNALDO JABOUR






sexta-feira, 13 de abril de 2007

Prova de Jornalismo e Novas Tecnologias


1) O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro afirmou: "A única coisa boa do futuro é que não vou estar lá". Você concorda? Por quê?



Durante os últimos cem anos, os avanços da ciência foram notáveis, marcando um período de mudanças e transformações. O futuro vem chegando acompanhado de descobertas, e causando temor àqueles que fogem do novo. Concordando com esta afirmação, o escritor baiano João Ubaldo Ribeiro pronuncia-se: "A única coisa boa do futuro é que não vou estar lá.”.

Para essas pessoas, a evolução tecnológica causará um forte impacto nos aspectos econômicos, sociais e culturais da civilização. Os sentimentos de medo do futuro são: preocupação, insegurança, ansiedade, irritação. Neste parâmetro se tem a sensação de que alguma coisa vai ou pode dar errado, pelo simples fato de que cômodo mesmo, e dar continuidade a forma habitual de se viver, livre de transformações.


Será o futuro?


Prever o futuro ou, pelo menos, compreender como o desenvolvimento tecnológico vai afetar a vida das pessoas não é tarefa fácil. No entanto, é necessária uma adaptação a novos produtos e invenções para enfrentar o competitivo mundo comercial de amanhã. Caso contrário, o cidadão que teme as mudanças corre o risco de se tornar obsoleto.

Para o sociólogo Bernardo Kucinski, Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), o período que se prossegue “é o início de uma revolução, parecida talvez com a Revolução Industrial”, apesar de existir relutância quanto ao uso do termo revolução.

O futuro possibilita continuamente o desenvolvimento da informática, a evolução das ciências biológicas, a manipulação molecular da matéria, assim como a adaptação do homem a essas mudanças. O jornalista Ethevaldo Siqueira, autor do livro 2015, como viveremos, faz uma previsão para esta data, afirmando que o número de usuários de celular chegará a três bilhões, em um universo de cerca de 7,2 bilhões de habitantes que a Terra terá então.

João Ubaldo Ribeiro pode não querer fazer parte deste futuro próximo, mas também já se rendeu à praticidade que a tecnologia reserva para atrair as pessoas. O escritor já não escreve mais à mão a coluna dele para o jornal Diário do Nordeste, ele recorre ao computador. É o que ele mesmo diz na publicação do impresso para o dia três de junho de 2006.


terça-feira, 3 de abril de 2007

Quitanda



Este motel vem adotando uma campanha publicitária 100% natureba.


À base de frutas!!!!



domingo, 25 de março de 2007

Mude


Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !

Edson Marques


Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco,
sem o qual a vida não vale a pena
(Clarice Lispector)