quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Pelas crianças de Cabul


“No Afeganistão têm muitas crianças, e pouca infância”.


Essa foi apenas umas das frases que me marcou após ter lido O Caçador de Pipas, do afegão Khaled Hosseini. Se eu pudesse botar nos outdoors da cidade um aviso para que todos lessem essa obra prima, não seria exagero comparado ao brilhantismo que é este livro. Faria isso pelo simples fato de que a mensagem deixada após o fim da leitura, é coisa que, acredito eu, impossível de ser esquecida.

O livro se passa em Cabul, capital do Afeganistão, em meio aos campeonatos de pipa que acontecem na cidade no período pré-guerra civil. É nessa época que é contada a história de dois garotos de etnias diferentes. A amizade envolvida por sentimentos de culpa e redenção, de um menino rico chamado Amir, e o filho de um empregado da família, Hassan. A história começa com a queda da monarquia do Afeganistão, decorrente da invasão soviética, a massa de emigrantes refugiados para o Paquistão e para os EUA e a implantação do regime Taliban.

O autor consegue levar até o leitor o sentimento de amargura que é viver em um país cujas crianças perdem seus pais ainda muito novas, cidadãos são perseguidos por generais taliban, e as mulheres são humilhadas, apedrejadas em praça pública, e reprimidas.

Várias palavras em farsi, a língua falada no Afeganistão, são mencionadas no decorrer da história, o que desperta um interesse no leitor em saber ainda mais sobre a cultura do Oriente Médio. Ao tratar carinhosamente uns aos outros, os personagens acrescentam ao fim de cada nome o termo jan, com por exemplo, Amir jan, Baba jan. Baba, que quer dizer pai, é quem no livro explica ao filho Amir, que só existe um pecado na vida, e esse pecado é roubar.


“Ao matar, você está roubando uma vida, roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça”.


Quando o livro acaba, um vazio toma conta, e não é à toa que muitos falam da sensação de "depressão pós Caçador de Pipas". Uma história cheia de emoções, que eu diria apenas que leiam. Afinal, ler é um privilégio para poucos. Façam pelas crianças afegãs, cujo sonho de aprender a ler é algo distante. Pelas mulheres que são proibidas de ouvir música, ler ou ver TV. Pelos homens que dão a vida por um país que nada pode fazer por eles. Leiam, e depois me digam o que sentiram.

Mais uma coisa, o livro vai virar filme, e está sendo produzido pelo diretor Marc Forster, e chega ao Brasil (infelizmente) só em janeiro de 2008.


Salaam Alaykum, Maria jan


2 comentários:

Breno Borges disse...

Maria jan!!
agora sim podemos comentar!! primeiro comentário heim!! huhuhuhu
adorei o blog e o texto...

o livro realmente é mto bom...
que as futuras crianças possam ser crianças de verdade e ter uma infância adequada...

Breno jan!

Anônimo disse...

Ahh
eu AMEI esse livroo!
tirando que chorei praticamente do começo ao fim!!
xP

Mas ele é muito bom mesmo!
Vai ficar pra sempre na memória!

Beeeijo!
Duda